A Deusa Bastet

A Deusa Bastet

Para os antigos egípcios a religião era o modo de explicar a realidade, e os deuses agiam para favorecer a vida no Egito. Todos os dias ao amanhecer ocorria nos templos uma cerimônia dedicada as divindades que deveriam manter a Ordem criada no momento da concepção do mundo. Entre os diversos deuses do panteão egípcio está Bastet representada como uma gata ou com o corpo humano e a cabeça do animal. Era filha de Rá, e aparece entre as divindades egípcias desde o Reino Antigo.

No início do período dinástico, Bastet tinha uma representação diferente da que mencionamos acima, pois era associada à leoa e, por isso, representada como tal. Era evocada para proteger o rei na batalha. Foi somente a partir do primeiro milênio antes de Cristo, período também em que o gato já havia sido domesticado pelos egípcios, que a sua representação como este animal felino tornou-se mais comum, passando também a ter atributos mais pacíficos.

Essa mudança em sua representação fez com que os egípcios a identificassem com a proteção da saúde individual, dos lares e da fertilidade. Por isso, foram encontradas diversas oferendas dedicadas à deusa não só no templo da cidade em que era padroeira, Bubastis, mas também em outros locais. Essas oferendas eram sobretudo votivas, ou seja, múmias de gatos ou estátuas na forma do animal ou na sua representação antropozoomorfa (rosto de gato e corpo humano).

Uma curiosidade das estátuas de bronze confeccionadas para dedicar à deusa é que nas representações antropozoomorfas ela aparece segurando na mão direta um sistro (símbolo também associado à deusa Hathor) que deveria ser tocado para acalmar e encantar a deusa, e na mão esquerda uma efígie com cabeça de leoa coroada pelo disco solar e com a serpente uraeus, demonstrando assim seus dois aspectos complementares: o pacífico e protetor, e o perigoso (associado à fúria da leoa). Acreditavam que esses acessórios eram indispensáveis para domar a deusa irritada e transformá-la em uma gata gentil. Também há imagens na qual aparece na companhia de filhotes, relacionando Bastet a proteção dos lares.

Ao longo da história egípcia foi associada a outras deusas como Hathor, Sekhmet e Tefnut, demonstrando que as divindades egípcias não tinham um papel único e poderiam, ao longo do tempo, assumir funções e formas diversas. Uma prática comum na religião egípcia foi organizar os deuses em famílias, principalmente tríades, o que não ocorreu com Bastet.

No período em que macedônicos e, posteriormente, romanos dominaram o Egito continuou a ser amplamente cultuada, tanto que muitos cemitérios de gatos encontrados datam desse momento da história egípcia. Isto também se deve ao fato de que os greco-romanos a relacionaram com a deusa grega Artemis, e há indícios de que seu culto pode ter sido levado para a Itália.

Para nós, o fato da deusa estar associada ao gato, chama bastante atenção, fazendo com que seja uma das deusas egípcias mais populares na contemporaneidade.