SEKHMET: A Poderosa

SEKHMET: A Poderosa

Shara Lorena Gritten Mello

Conta o mito egípcio da Vaca Celestial, encontrado em uma parede de tumba, sobre a destruição da humanidade. Ra foi um dos deuses primordiais do Egito. Quando sua pele de ouro, seu osso de prata e seu cabelo de lápis-lazúli (pedra azul) estavam velhos, os homens começaram a questionar sua autoridade como governante e duvidar do seu vigor. Cansado pelos questionamentos dos homens, Ra decidiu vingar-se e punir aqueles que conspiravam contra ele.

O deus do Sol retira seu olho esquerdo e convoca Hathor (deusa da beleza, amor, música, alegria), ela deveria usar seus poderes para realizar a vingança de Ra. Como uma deusa das festas ajudaria Ra a cumprir seu objetivo? Ele a transformou em Sekhmet, deusa com cabeça de leoa e corpo de mulher, e ela foi enviada a terra.

Sekhmet extermina os homens que desafiavam o poder do deus do Sol. O que Ra não contava era que Sekhmet ficaria fora de controle e sedenta por sangue. Ela começou a devorar todos os homens e iria parar somente com o fim da humanidade. Ra não queria a destruição de toda humanidade. Arrependido, decidiu que o “massacre” deveria parar. O deus ordenou que se preparasse sete mil jarros de cerveja misturada com uma semente vermelha. Pela manhã, Sekhmet encontrou a cerveja pintada de vermelho, pensando que era sangue, ela bebeu o quanto pode. Com Sekhmet totalmente embriagada, Ra consegue controla-la e ela volta ao seu lugar original (a deusa é o seu olho esquerdo), transformando a deusa em Hathor novamente.

Todos os anos uma festa era celebrada dedicada à deusa Sekhmet, o Festival da Bebedeira era realizado geralmente no último dia do mês da inundação do rio Nilo, durando cinco dias. Homens e mulheres participavam da festa ingerindo grande quantidade de vinho e cerveja até chegarem à total embriaguez, acreditando que esse estado permitiria o contato com a deusa.

Sekhmet significa a Poderosa, pode ser associada como divindade da guerra, dos conflitos e das epidemias. Quando as pessoas adoeciam geralmente pedia-se proteção a Sekhmet, pois somente a deusa que é a causadora das epidemias pode curá-las. Sekhmet pode ser aliada a figura da deusa Bastet, como sua forma “dócil”.

Os egípcios antigos produziram inúmeras estatuas da deusa Sekhmet, principalmente fabricadas em diorito, mais conhecido como “granito negro”. No templo de Mut, em Luxor, foram encontradas o maior numero dessas estatuas, criadas por Amenhotep III, que foram preservadas até o período Ptolomaico. Hoje podemos observar alguns exemplares em diversos museus espalhados pelo mundo, como por exemplo, no Museu Metropolitano de Arte (The Metropolitan Museum of Art), em Nova York, o qual possui o maior acervo dessas estatuas, nos permitindo apreciar a arte egípcia e essa deusa importantíssima para crença do Antigo Egito.

Deusa Bastet

Estatuas Sekhmet (Museu)

Templo de Mut-Luxor