Museu – Adoração ao Sol

Adoração ao Sol: a importância do Deus Rá para os antigos egípcios

Thays da Silva

A religião desempenhou um papel fundamental na história da civilização egípcia antiga, havendo interferido em todas as áreas da sociedade. Nesse sentido, a adoração aos deuses nos quais os egípcios acreditavam fazia-se essencial, de forma a manter seus pedidos e agradecimentos pelo que as divindades haviam feito pelos homens.

Uma das divindades mais importantes e mais lembradas do panteão egípcio é o deus Rá, também chamado de Rá-Harakhti. Considerado o deus-Sol, Rá era representado por corpo de homem, cabeça de falcão e um disco solar sobre a cabeça. Além disso, Rá era associado à realeza.

Seu principal centro de culto era a cidade de Iunu, localizada ao norte do Egito e chamada pelos gregos de Heliópolis. Segundo a crença egípcia, essa foi a cidade onde Rá viveu e de onde governou o Egito antes do surgimento das dinastias históricas. Por esse motivo, os faraós eram considerados seus descendentes.

Por conta do desenvolvimento agrícola ocorrido no território egípcio, os moradores locais deram ao Sol e, consequentemente, ao deus Rá, a supremacia, uma vez que passaram a reconhecer a luz solar como elemento fundamental para a produção de alimentos.

Durante toda a história da civilização egípcia antiga existiram vários mitos que explicavam como havia ocorrido a criação do mundo e de tudo o que nele existe. Nesse sentido, um dos mitos mais conhecidos é o da cidade de Heliópolis.

No mito de Heliópolis, Rá era visto como a divindade criadora que havia surgido das águas caóticas sobre um monte de terra e teria originado um casal de deuses, Shu e Tefnut que, por sua vez, deram origem à Geb e Nut, deuses da terra e do céu, respectivamente. Estes dois deuses teriam criado outras quatro divindades: Osíris, Ísis, Néftis e Seth. As nove divindades acima citadas formavam a enéade de Heliópolis.

Para os egípcios, deus Rá nascia a cada manhã, cruzava o céu na barca solar, durante a noite viajava pelo mundo subterrâneo e lutava contra a serpente Apófis, personificação do mal, e a vencia todas as noites, de forma a permitir que outro dia surgisse. Além disso, os egípcios acreditavam que o deus-Sol possuía várias formas ao longo do dia: ao amanhecer era Kepri, uma divindade relacionada ao escaravelho, ao meio-dia era Rá propriamente dito e ao entardecer era Atum, um deus com forma humana que portava a coroa do Alto e Baixo Egito sobre sua cabeça.

O ciclo solar assumiu grande importância na história da civilização egípcia antiga por haver originado diversas concepções mitológicas, como a da “destruição da humanidade” e a de “Ísis e Rá”, que têm como fato principal o envelhecimento do sol.

De acordo com o mito da destruição da humanidade, Rá teria enviado à terra uma deusa vingativa chamada Sekhmet, representada como uma mulher com cabeça de leoa, para que punisse a humanidade por conta das atitudes negativas dos homens. No entanto, a raiva de Sekhmet teria tornado-se incontrolável, o que fez com que a deusa matasse pessoas inocentes. Para evitar que toda a humanidade fosse destruída por Sekhmet, Rá tingiu de vermelho vários barris de cerveja e deixou em locais onde a deusa poderia encontrá-los. Assim, ao acordar com sede e tomar o líquido pensando ser sangue humano, Sekhmet teria ficado embriagada, esquecendo-se de sua grande raiva e, dessa forma, deus Rá teria livrado a humanidade da destruição.

Ao longo de toda a história da civilização egípcia, deus Rá fora relacionado a outros deuses, sobretudo a partir da V Dinastia. Entre os deuses aos quais o deus-Sol fora associado destacam-se Kepri, Atum, Amon e Hórus. Uma das associações mais conhecidas é a de Amon-Rá, quando os faraós do Novo Império o relacionaram com a principal divindade da cidade que havia se tornado a capital do Egito durante esse período.

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