História

A Saga evolutiva da Universidade Rose-Croix em sua trajetória de 80 anos, os desafios que se colocam à frente para sua perenização no século XXI.
Em 2009 iniciaram-se a realização de atividades regionais. A primeira foi realizada pela Seção de Psicologia na Loja Rosacruz São Paulo – AMORC, tratou-se do “Primeiro Seminário Psicologia, Ciência e Rosacrucianismo” contando com cerca de 120 participantes. A Seção iniciou, também, a estruturação de um Ambiente Virtual de Pesquisa e a criação de protocolos para que os pesquisadores iniciassem seus projetos.

Desta forma, se deu a consolidação da URCI na jurisdição a partir de um modelo disciplinar semelhante ao de uma universidade convencional.

O reitor, frater Hélio, definiu que o foco do congresso deveria ser transdisciplinar e o evento foi denominado “A Visão Rosacruz do Conhecimento, rumo à Transdisciplinaridade”. O evento reuniu cerca de 240 membros, durante o qual houve o lançamento da primeira publicação da URCI-GLP oferecendo uma visão dos fundamentos do pensamento científico preconizado na URCI na Jurisdição.

Este período foi marcado, também, pelo início das relações inter-jurisdicionais. Primeiramente com a participação da URCI-GLP no congresso de sua parceira estadunidense “Hidden in Plain Sight: A Influência do Esoterismo Ocidental no Pensamento Moderno”, bem como a publicação de artigos no The Rose-Croix Jornal. Posteriormente se deu uma assessoria à Accademia Rosa-Croce, a URCI Italiana.

Também foram iniciadas as participações da URCI em congressos acadêmicos em universidades convencionais no Brasil, com destaque para o II Simpósio Internacional de Medicina Tradicional e Práticas Contemplativas promovido pela UNIFESP e para o V Seminário de Psicologia e Senso Religioso, promovido pela USP.

Ainda durante o I Congresso da URCI os participantes realizaram grupos de trabalho com o objetivo de propor melhorias para a universidade. O material produzido foi analisado por um comitê designado pelo reitor, que se reuniu no final de 2010 na Morada do Silêncio. O encontro redundou na revisão da sessão 230, dando à URCI sua atual estrutura, com um caráter verdadeiramente transdisciplinar. Esse foi o início da fase de restruturação que levou à extinção das seções acadêmicas e à instituição de um Conselho Jurisdicidional de Pesquisa, Ensino e Extensão, como previsto inicialmente por H.S. Lewis. O conselho é composto por especialistas titulados em diferentes áreas do conhecimento, o que possibilita uma construção de conhecimentos inter e transdisciplinares.

Neste período a URCI foi cadastrada no Diretório de Instituições (Cadastro de Informações Institucionais – CADI) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) passando a figurar no mundo universitário brasileiro.

Mesmo durante o período de reestruturação as atividades acadêmicas não pararam, assim foi realizado em Campinas sob a coordenação do frater Carlos Alberto Ferrari o I Simpósio de Pesquisa Ciência da Natureza e Matemática e em São Paulo as reuniões científicas e o Simpósio do Grupo de Pesquisa Fundamentos do Rosacrucianismo e Desenvolvimento Humano numa Perspectiva Transdisciplinar, coordenado por mim.

Assim vai se configurando o projeto da URCI-GLP como uma universidade livre, quando se propõe colocar os conhecimentos tradicionais rosacruzes em diálogo com o universo científico e, como uma universidade corporativa ou tradicional, quando se propõe a produzir conhecimentos interno para a AMORC, com a seguinte Missão:

“A Universidade Rose-Croix Internacional, URCI, é um órgão da AMORC de diálogo com a ciência, que reúne estudantes rosacruzes acadêmicos e de notório saber, visando à integração do conhecimento, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da Ordem Rosacruz e da sociedade em geral.” (MAR, Seção 230)

Naturalmente com a reestruturação vem a pergunta: “Quem pode participar da URCI?” A resposta é todos os rosacruzes. É preciso, entretanto compreender que é aberta a todos os rosacruzes, mas nem todos os rosacruzes estão preparados para serem pesquisadores da URCI. Como uma universidade aberta os membros podem participar da URCI como alunos frequentando os cursos e os seminários acadêmicos.

Poderão também se tornar pesquisadores a URCI. Isso envolve uma série de competências que não são naturais, precisam ser desenvolvidas. Não há necessidade de serem acadêmicos titulados, isso é, é claro, desejável. É fundamental terem concluído o 9º Grau de Templo, estudar sobre transdisciplinaridade, e terem conhecimento da literatura básica da AMORC, estudarem a Seção 230 do MAR, além de se inserirem num grupo de pesquisa.
A principal qualidade de um pesquisador é sua capacidade para estudar, ouvir críticas e lidar com o questionamento científico que pressupõe sua capacidade para o questionamento de tudo, em termos rosacruzes serem um ponto de interrogação ambulante. Há também a necessidade da competência para a dissertação científica.

Assim, ainda durante a reestruturação surgiram os primeiros grupos de pesquisa da URCI, que seguem os mesmos padrões de qualidade preconizados pelo CNPq, seguindo uma proposta transdisciplinar. Os grupos de pesquisa reúnem rosacruzes de diferentes graus, com ou sem titulação acadêmica e formados em diversas disciplinas, portanto, possuem um caráter interdisciplinar e transdisciplinar. Coordenados por um doutor objetivam o desenvolvimento e a formação de pesquisadores por meio das trocas que se estabelecem.

Os Grupos de Pesquisa estão subordinados diretamente à Reitoria (GLP) e são normalmente acolhidos por um Organismo Afiliado da AMORC, com o apoio dos Grandes Conselheiros das Regiões. Para a formação de um GP o líder precisa ter a titulação de doutorado e passar pelo seminário de formação de pesquisadores, oferecido anualmente. Atualmente estão autorizados a formarem grupos de pesquisas o conselheiros membros do Conselho Jurisdicional de Pesquisa, Ensino e Extensão.

Na transição da fase de reestruturação para a atual fase foi concluída a primeira pesquisa da URCI-GLP, tratou-se do “Glossário de termos e Conceitos da AMORC”, iniciativa que levou dois anos para ser finalizada envolvendo várias etapas e reunindo doze pesquisadores que se submeteram ao processo de capacitação. Cabe salientar que este projeto foi realizado em EaD, sendo que alguns colaboradores nunca se encontraram pessoalmente. O projeto lançado como livro da Convenção Mundial em 2011 trouxe expressiva contribuição para os estudantes rosacruzes, no sentido de preservar e fortalecer a cultura rosacruz por meio da uniformização da linguagem.

Então passamos à fase atual de sedimentação, quando a universidade vai chegando à sua maturidade. Começamos a oferecer cursos de capacitação para a Comunidade Rosacruz, como em 2012 o “Novas Perspectivas em Educação e Saúde: O Profissional Transdisciplinar”, com 80 horas/aula, ministrado por docentes da URCI num período de 10 dias consecutivos na Morada do Silêncio, fato que jamais ocorreu anteriormente, contando com aproximadamente 30 alunos.

Em 2013 aconteceu a Primeira Oficina de Capacitação em Projetos de Pesquisa com enfoque transdisciplinar. E neste ano (2014) o Núcleo São Paulo (NSP-URCI) abrigado gentilmente na Loja Rosacruz São Paulo – AMORC, está executando o “Possibilidades Transdisciplinares”, curso de extensão acadêmica com 20 hora/ aula ministrado com pesquisadores da URCI, da USP (Faculdade de Saúde Pública), Centro de Educação Transdisciplinar (CETRANS) e Centre Internacional de Recherches et Études Transdiciplinares (CIRET). O projeto está sendo todo filmado e objetiva a produção de Recurso Educacional Aberto (REA), conforme preconizado pela UNESCO. Acontece uma vez por mês, e reúne cerca de 70 alunos sendo 50% não membros.

Em 2013 a URCI iniciou um processo de intercâmbio institucional com universidades convencionais. Primeiro uma comitiva da URCI visitou o Laboratório de Práticas Alternativas, Integrativas e Complementares da UNICAMP, quando os pesquisadores intercambiaram produções. Depois ocorreu em João Pessoa, em parceria com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Programa de Ciências da Religião, o curso de extensão “O Imaginário da Ordem Rosacruz AMORC” reunindo docentes da URCI e da UFPB com cerca de 50 alunos entre rosacruzes e não rosacruzes de diferentes cidades do nordeste brasileiro. Seguiu a visita ao Laboratório de Psicologia Anomalística das Faculdades Espíritas de Curitiba e por fim a participação do Pré-congresso Internacional da Associação Brasileira de Psicologia Transpessoal – ALUBRAT onde houve o lançamento do livro O Manifesto da Arte Visionária tradução do Prof. José Eliézer Mikosz, membro do Conselho da URCI.

No campo da pesquisa mais duas ações foram concluídas. Projetos de vários anos cujos trâmites contemplaram bancas de qualificação abertas, inclusive, a professores de fora da URCI, contando com colegas da USP e da UNIFESP. Em 2012 o pesquisador Fábio Mendia concluiu o trabalho “A Busca do que Existe e não Existe: Um Estudo Exploratório sobre os Fundamentos Históricos e Tradicionais da AMORC, seu Simbolismo e Rituais, Interpretados pela Abordagem Transdisciplinar” e em 2014 (52) a pesquisadora Renta Paes de Barros conclui o projeto “DIÁLOGO ENTRE SABERES PELA TRANSDISCIPLINARIDADE: O Construtivismo de Vigotski e o Conhecimento Tradicional do Esoterismo Rosacruz da AMORC aplicado Reorganização da Linguagem”.

Estão em curso no momento o “Glossário de Termos e Conceitos do Conhecimento Rosacruz adaptado à área Médica”, que congrega médicos de diferentes especialidade; e pesquisa sobre “ medição de efeitos aleatórios captadas por gerador, a partir de emissão de sons vocálicos”, ambas coordenadas pelo Prof. Moacir Godoy, FRC. Além dessas, o pesquisador Lino Rolo de São Paulo, está realizando um importante trabalho de compilação do pensamento de Ralph Maxwell Lewis a partir de todos os textos publicados em português.

Al estrutura organizacional da URCI foi complementada com a posse do Conselho de Pesquisa, Ensino e Extensão (CJPE) e a realização do Planejamento Estratégico em 2013.

Outro elemento importante foi a realização do II Congresso da URCI com enfoque em Saúde. “Misticismo e Saúde numa Perspectiva Transdisciplinar” expressou de forma contundente o diálogo que a AMORC-GLP vem realizando com a sociedade, ao propor uma reflexão sobre as Políticas Públicas de Saúde e sua relação com os conhecimentos tradicionais, por meio das parcerias interinstitucionais.

Com o lançamento do selo acadêmico de publicações abre-se um importante veículo de divulgação da URCI na sociedade. Por fim, o espírito da URCI-GLP foi corporificado com a inauguração de um edifício no Campus Metropolitano e a integração das unidades culturais AMORC à sua estrutura. Portanto, agora o Museu Egípcio e Rosacruz, Biblioteca Alexandria e Centro Cultural, conforme se viu durante a inauguração do Edifício da Universidade fazem parte da URCI.

Desta forma, penso que seja um orgulho para todos nós rosacruzes constatarmos, nesta rápida apresentação, a evolução de um sonho que começou 80 anos atrás, como o visionário Harvey Spencer Lewis, e que foi evoluindo sempre procurando adaptar-se ao seu tempo, característica fundamental do rosacrucianismo da AMORC. Portanto, não tenho dúvidas em afirmar que a URCI-GLP vai se posicionando na sociedade brasileira com grande respeitabilidade está pronta para os desafios que naturalmente lhe são impostos.

Ao analisar o projeto de reestruturação é possível compreender que, quando a URCI se inclina para a sociedade como uma universidade livre, colocando os conhecimentos tradicionais rosacruzes em diálogo com o universo científico, ela se alinha aos preceitos mais caros do rosacrucianismo histórico e tradicional, de forma ousada. Penso que nesta apresentação torna-se evidente que a URCI-GLP tem procurado alinhar suas ações à luz dos elementos transdisciplinares fundantes propostos por Harvey Spencer Lewis e preconizados por nosso atual imperator que tem se mostrado sempre preocupado com os graves problemas da contemporaneidade.

Quais são, pois, os desafios que conseguimos divisar no momento. O principal deles diz respeito à pesquisa. Conseguiremos desenvolver um espírito verdadeiramente transdisciplinar, vencendo os padrões disciplinares tão arraigados em todos que estão imersos no universo acadêmico, a despeito de suas boas intenções? Conseguirão estes coadunarem as exigência disciplinares e burocráticas das universidades convencionais onde atuam, com a liberdade rigorosa proposta pela URCI? Neste sentido conseguiremos desenvolver uma transdisciplinaridade que nos permita uma comunicação clara entre nós e para com a sociedade? Seremos capazes de fazer com que os grupos de pesquisas proliferem nas diferentes regiões da AMORC, com a qualidade que precisam ter? Neste sentido não basta a boa vontade dos Grandes Conselheiros e dos Organismos Afiliados em abrirem espaço, precisaremos do empenho de nossos doutores que corajosamente deverão se engajar nessa empreitada, para que possamos criar algo verdadeiramente novo. A sociedade brasileira e mundial clamam por isso.

Missão

A Universidade Rose-Croix Internacional – URCI é uma Universidade Livre que tem por Missão promover a educação do Ser Humano integral, produzir conhecimento científico, formação, pesquisa e extensão, acessível a todos os interessados na construção de uma sociedade justa, possuidora de valores éticos que reflitam uma cultura de paz, humanismo e respeito à liberdade de pensamento.

FAQ

Os conhecimentos gerados nesta interlocução alimentam um grande banco de informações que reúne a produção místico-intelectual, cuja gestão do conhecimento contribui para a consolidação da missão da AMORC.

O objetivo da URCI é reunir os rosacruzes que desejam realizar ou aprofundar trabalhos de pesquisa com enfoque inter e transdisciplinar sobre temas específicos, relacionados à filosofia, ao misticismo e aos ensinamentos da Ordem Rosacruz, AMORC e integrá-los às perspectivas científicas e aos conhecimentos de outras tradições e culturas. Para isso, a URCI desenvolve metodologias e tecnologias de investigação, promove atividades de ensino e extensão e oferece serviços à comunidade. A URCI da Jurisdição de Língua Portuguesa estrutura-se a partir de um Conselho Jurisdicional de Pesquisa, Educação e Extensão, que reúne especialistas titulados nas diversas áreas do conhecimento, além de Comissões permanentes que possibilitam a consecução dos trabalhos, como a Comissão de Pesquisa, a Comissão Educacional e a Comissão Editorial. Abrange, de forma integrada com Grupos de Pesquisas, que atuam nos moldes CNPq, diversas áreas do conhecimento: Medicina e Saúde ; Psicologia; História

Em absoluta concordância com o projeto CIRET – UNESCO, denominado Evolução Transdisciplinar da Universidade, temos como ideia nuclear das ações o pensamento de que há uma relação direta e não contornável entre paz e transdisciplinaridade. Assim, em linha com o projeto CIRET – UNESCO, desenvolvemos uma Universidade cuja universalidade de saberes remete o pesquisador ao aprendizado de conhecimentos, mas também à vivência da cultura, da arte, da espiritualidade e da vida.

Multimidia
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